Segunda-feira, 26 de Março de 2007
Inté
Já me ocorreu partilhar um blogue com um caramelo que me acusou publicamente, e sem sequer fazer grande ideia do que dizia, de homofobia. Já me vi num outro estaminé acompanhado por um mitómano que me acusou de estar assim a modos que mais perto de animal do que de pessoa. Mas nunca, nunca tinha tido de fazer companhia a um gajo capaz de escrever uma tal ofensa a uma prestigiada escritora ou de fazer graçolas de mau gosto a propósito de todo um povo; o nosso, ainda por cima. E o crápula agora teve o supremo  topete de destratar uma das minhas bandas preferidas. Já chega.
Assim sendo, julgo melhor para todos suspender temporariamente a minha participação neste blogue, deixando-o entregue a quem se compraz nesses desvarios com que não posso, nem quero, compactuar. Obrigado e até à vista.


publicado por Luis Rainha às 12:33
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Adivinha
O que acontece quando se acrescenta uma dose generosa de misticismo bacoco tipo Paulo Coelho à imagética dos Power Rangers, temperando a mistela com umas musiquetas sem originalidade nem mostra de talento?
Surge um novo disco dos Blasted Mechanism.


publicado por Luis Rainha às 12:16
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Sexta-feira, 23 de Março de 2007
O pirata do olho de vídeo
Enquanto espero que me cheguem os últimos bits do Stalker de Tarkovsky, percebo uma coisa: há muito de digno e de laboriosamente cinéfilo na pirataria. E não se trata apenas da alegria prometeica de (re)criar imagens e sons magistrais a partir de quase nada: uma ligação à net e pouco mais. Ter de dominar 6 programas diferentes — cada um deles um prodígio de opacidade — antes de desfrutar um filme... eis um trabalho de amor, uma laboriosa via crucis ao penoso alcance apenas de quem ama mesmo o Cinema. Ou não seria muito mais fácil, embora banal, encomendá-lo aqui ou ir buscá-lo a um reles clube de vídeo? Piratear, eis o vero caminho do iniciado.

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publicado por Luis Rainha às 16:31
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Quarta-feira, 21 de Março de 2007
Mas será que a senhora estava a fazer um filme porno?
"A ‘Dona Coisinha’ estava sempre deitada, a arfar, e praticamente não tinha falas."

Assim falou a popular "Parrachita",
Maria Vieira, ao anunciar a sua fuga do naufrágio em forma de programa do Herman. Muda, deitada e a arfar... Graças ao Grande Relojoeiro, não vi essas partes. Apanhei sempre aquela malta a falar mesmo e a fazer de conta que tinha graça. O que já é deprimente que baste.

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publicado por Luis Rainha às 17:49
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Terça-feira, 20 de Março de 2007
Inês Pedrosa perde o pé
No último “Expresso”, lá vem mais uma “Crónica Feminina”, da autoria de um dos grandes equívocos das letras lusas, Inês Pedrosa. Digo “equívocos” para não usar palavras mas indigestas, como “aldrabice”. Na realidade, pouco separa esta autora de luminárias como Margarida Rebelo Pinto, além da patine cultural cedida por amigos prestimosos e de uma suposta “seriedade” que ninguém sabe ao certo de onde virá. Inês Pedrosa foi jornalista, cabeça-de-cartaz do patusco movimento erigido em torno desse monumento ambulante que é o Manuel Alegre e autora de uns quantos romances pretensiosos e genericamente muito fracos.
Desta vez, vem a senhora falar-nos de Jean Baudrillard, a propósito, claro está, do seu falecimento. Lembra-se a putativa romancista de ter entrevistado o sociólogo francês. Não que ele tenha sido o seu interlocutor preferido: esse, ela nunca saberá quem foi. E não se trata de jactância ou de pose blasée; “não é diplomacia nem maldade, apenas negro olvido, olé, irreversível, trágico, como o dos folhetins espanhóis que eu escondia debaixo do colchão naquela idade incauta, pré-baudrillardiana”... blábláblá. Não sei o que deplorar mais: se o pavoroso e despropositado “olé”, se o facto de a senhora confessar depois que Barthes e Baudrillard a ensinaram a “voar”. Não culpem os instrutores pelo despenhamento da pupila, por favor.
Recorda-se a senhora de ter dado com o pensador agora falecido num Colóquio (com maiúscula, pois então) onde ele brilhava “desancando nesse ‘pensamento fraco’, então quase único a que se chamava pós-modernidade”.
Que Baudrillard tenha sido sim um dos arautos dessa mesma pós-modernidade pouco incomoda a brava Inês. A ela, interessa verberar o tal “pensamento fraco”, que, está-se mesmo a ver, só pode ser coisa má; mesmo que se tratasse de uma oposição aos “pensamentos fortes” das grandes certezas políticas que têm por hábito empurrar-nos para mais perto do abismo. Adiante.
A hagiografia de Baudrillard prossegue imperturbável: ele “disse coisas politicamente incorrectas – e de enorme justeza - sobre o ‘complot da arte’ contemporânea”, “sobre a guerra do Golfo”, etc, etc. Claro que ele fazia tudo isto desviando-se sempre do “estreitamento ideológico-burocráticos das sociologias”. E claro que nem adianta tentar entender o que quererá isto dizer: o vazio é a matéria-prima que Inês partilha com a colega Rebelo Pinto. Que as idiotices que o bom sociólogo verteu sobre a arte de hoje e sobre a primeira guerra do Golfo (para ele coisa redutível à sua representação mediática, ignorando o horror e o sangue de milhares) sejam corroboradas com esta leveza inconsciente é uma boa prova das teses do pensador francês: o que interessa hoje é a superfície das coisas, o brilho da sua reflexão no ecrã mais próximo, não a sua substância ou relevância.
Mas Inês Pedrosa, quiçá ainda presa aos tais “folhetins”, só quer saber das “coisas igualmente sísmicas” (sic) que S. Baudrillard lhe depositou na trompa de Eustáquio. A correria para parecer culta ao tratar com tal familiaridade um Grande Vulto obriga-a a ignorar a evidência maior: o sociólogo francês criou uma obra  de estilo fascinante mas de fundações inexistentes. Claro que o universo de hiper-realidade e de infinitas ordens de simulacros por ele anunciado é um intrigante pastiche de Philip Dick e pouco mais: claro que a guerra do Golfo existiu mesmo; claro que as trocas simbólicas não obnubilaram um mundo bem real; claro que só no mundo do “Matrix” é que aquilo faz mesmo sentido; claro que Sokal apanhou o homem em flagrante; claro que ele se deixou sugar pelo buraco negro do frenesi de comunicação que denunciava, como bem explica o espanhol José Antonio Marina. Claro que só uma esquerda faminta de profundidade e actualidade é que se lembraria de engolir aquele jogo brilhante mas solipsista como se se tratasse das novas Escrituras Divinas.
Acabando o tema Inês Pedrosa, tudo isto só vem provar que uma coisa é andar a correr atrás dos grandes deste mundo de microfone em riste, outra bem diferente é compreender o que eles nos dizem.
Como contraste depois de tanta vacuidade, recomendo o regresso a Gianni Vattimo, que nos deixa aqui um belo obituário. Ah, o filósofo italiano criou precisamente a tal expressão que Baudrillard teria “desancado” sem dó nem piedade: o "pensiero debole".



publicado por Luis Rainha às 17:41
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Segunda-feira, 19 de Março de 2007
As coisas são como são
Assembleias de condóminos.
Conferências de herdeiros.
Reuniões do CDS-PP.
Tudo divertidos oratórios para entretenimento das mais irrelevantes das gentes, embaraçadas entre questões sem importância nenhuma, sempre sinceramente convencidas de que o mundo desabará se privado dos seus umbigos.


publicado por gibel às 19:01
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UE PRETENTE IMPOR I2O Grs COMO LIMITE POR KM2 DE EMISSÃO DE CARBONO


publicado por Jorge Mateus às 16:06
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Manicomics

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publicado por Luis Rainha às 13:44
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Some of my favourite things...


...continuam a irromper no desconcertante e sempre sápido Pastoral Portuguesa. Incluindo mesmo algumas das coisas que ainda hão-de ser favoritas, como o "Inland Empire", aqui desvelado numa generosa sneak preview.


publicado por Luis Rainha às 12:03
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A noite do morto vivo 31
Santana Lopes anda por aí de novo a murmurar coisas como "se eu olhar à minha volta e chegar à conclusão sou eu que estou melhor colocado para assumir a responsabilidade da liderança do meu partido, não fujo". Imaginar PSL de novo a "liderar" o PSD é sonho lindo só comparável a ter o popular e telegénico "Emplastro" como treinador o FCP.
Ainda mais cómica é a passagem em que o meu zombi preferido garante ter "uma vida profissional para consolidar e que me custou a reconstruir". Que andará o homem a fazer, dado que a notícia que o colocava na EDP como assessor jurídico parece não ter fundamento? Deita búzios? Tira fotografias comprometedoras à Elsa Raposo? Apascenta jumentos? Confesso-me roído pela curiosidade.


publicado por Luis Rainha às 11:53
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É o povo, senhores (2)
Mais uma prova, e ainda outra, de uma minha teoria: há qualquer coisa profundamente errada com o código genético do português.


publicado por Luis Rainha às 11:12
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Domingo, 18 de Março de 2007
A fórmula perdida


Já antes me sentia meio envergonhado ao confessar a manutenção deste hábito de juventude: seguir a época de Fórmula 1. Mas neste momento, enquanto estrago a vista a tentar decifrar um quadradinho de proporções ínfimas com a única transmissão online que consegui encontrar, oriunda algures da China, sinto-me ainda mais ridículo. Malvada Sport TV.

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publicado por Luis Rainha às 02:43
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É o povo, senhores...
"Revolta na festa de Cernadelo "

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publicado por Luis Rainha às 02:41
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Um engenheiro debaixo de cada pedra
Com o agudizar da polémica em torno do possível aeroporto da Ota, Portugal é bendito pelo surgimento de uma riqueza humana inesperada: os especialistas em transportes. Crescem como cogumelos. Alguns em paragens inéditas, a maioria nos locais do costume. Miguel Sousa Tavares, infalível doutor em tudo e mais um par de botas, declara-se hoje, no “Expresso” majestaticamente “à espera” que o convençam não sei bem de quê; como se a sua teimosia ou ignorância pudesse ser prova de ausência de argumentos ponderosos. A caprichosa Clara Ferreira Alves sempre é mais directa: dá-nos logo uma pista sobre o quanto entende realmente do assunto, ao escrever que hoje em dia “se demora de Lisboa ao Porto mais ou menos o que se demorava há 20 anos”. Tendo em vista que a A1 apenas foi finalizada em 1991, ficamos conversados. A não ser que a plumitiva se referisse a travessias a pé. Aí, é capaz de ter razão; ao menos uma vez na vida.

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publicado por Luis Rainha às 02:20
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O "nosso ilustre candidato" e os mexilhões


Para uma mente brilhante do blogue que quer "voltar a crescer" sob as saias de Paulo Portas, este é mesmo "o nosso ilustre candidato". A sério.
Mais: o fulano pensa que "o eleitorado que não é de esquerda deve incrustar-se no CDS-PP". "Incrustar-se", estão a ver? Assim como os mexilhões se agarram às rochas, ou as carraças à pele do meu pobre collie. Só de imaginar alguém "incrustado" no antigo Paulinho das Feiras, fico bastante indisposto.
Mas atenção, que há muitos mais motivos de gáudio a fazer do local uma referência obrigatória: um dos autores "destes mágnifico Blog" (sic, a sério!) é um tal Jorge Passeira, criatura que nos lança a todos um solene aviso: "quanto áqueles que fazem crítica, troça e tentam por meios obscuros de nos travarem a levar o DR.Paulo Portas á vitória, só tenho a dizer (...como já disse recentemente em outras circusntâncias) que não teram hipótesse pois a vitória estará do lado da razão!" Em termos de delírio político-ortográfico e de exercício insalubre de culto da personalidade, a coisa é mesmo do melhor.
A bem da verdade, agora que penso bem no assunto, este "mágnifico Blog" só pode ser obra ou do Gato Fedorento ou dos apoiantes do Ribeiro e Castro.

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publicado por Luis Rainha às 00:04
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Sábado, 17 de Março de 2007
Momento Espada da semana
O homem já nem me irrita. Mas nunca deixa de me divertir. João Carlos Espada é o parvenu por definição: a criatura deslumbrada que fugiu dos tugúrios suados onde dava vivas a Estaline e agora se gasta em lindas viagens imaginárias entre Washington e Oxford.
Na coluna de hoje no "Expresso", o homem mostra  sua infelicidade por quererem acabar com as típicas excentricidades da Câmara dos Lordes inglesa, instituição tão admirável quanto económica, de acordo com o José Castelo Branco do colunismo mais ou menos político cá da terrinha.
Entre a admiração pela capacidade que os empregados do restaurante da dita câmara têm para distinguir os "milords" dos visitantes piolhosos e a "estóica" ementa tipicamente britânica do mesmo, há montes de espaço para o Espada desfiar toda a sua parolice deslumbrada.
Vão lá ler aquilo, que vale mesmo a pena. Se não estivesse neste momento a meio do "Apocalypto" do Mel Gibson, até era capaz de transcrever a peça toda. Assim sendo, tenho melhor que fazer.

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publicado por Luis Rainha às 23:27
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0,31 da Armada
Como é que alguém escreve uma imbecilidade destas?

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publicado por Luis Rainha às 23:23
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Great minds think nearly alike
Seymour Hersh, da New Yorker, aparentemente lê a Zona Fantasma. E acaba de concordar comigo, quando sugeri há uns meses que um dos grandes objectivos da administração Bush no Médio Oriente pode bem ser o acirrar, por todos os meios possíveis, das lutas entre xiitas e sunitas. Pronto: concedo que o homem investigou um bocado mais do que eu; mas também deve ter mais tempo livre, é o que é.


publicado por Luis Rainha às 23:14
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Living in the past
Acreditem ou não, existe um blogue chamado "uma nova esperança para o CDS/PP", sendo que a tal novidade anunciada com este espavento é... Paulo Portas. Não se trata de um homónimo, mas sim de quem já lá esteve a mandar naquilo uma data de anos. Com os resultados conhecidos.
Ao que parece, lendo o endereço da coisa, estava para se chamar "Voltar a Crescer" mas devem ter pensado que evocava em demasia temas ligados à infância; ou que talvez recordasse aos mais rancorosos as últimas eleições, altura em que o crescimento foi estonteante. Por más razões.

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publicado por Luis Rainha às 20:57
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Pronto, está bem, junto-me à moda do palimpsesto
No post anterior, o sapiente Gibel deu por fim provas de que é humano e não mesmo uma criatura de omnisciência semidivina. Levado ao engano Interpretando com fina ironia pela a legenda “Rep. John Murtha”, atribuiu ao tonitruante sofrível congressista filiação no partido Republicano. Pobre O homem estava a pedi-las.
Mas a emenda foi bem mais gira que aprendi muito com este texto belo como um o soneto. Assisti por fim à estreia aqui na Zona Fantasma dessa curiosa moda maravilhosa inovação que é a correcção de erros deixando a versão manhosa menos perfeita visível e decorada com um belo mas denunciador strikethrough.
Então agora isto de escrever em blogues, além de ser um vício, um motivo compreensível para divórcio, um hábito socialmente reprovável, descobrir a inspiração de criaturas sagazes como o Gibel uma perda de tempo cúmplice do défice, ele que é um supino desperdício de exemplo de partilha de energia mental uma mania que coloca algumas e sem qualquer espécie de dúvidas sobre a saúde um prodígio de vigor erístico dos seus praticantes… então agora também tem de pode ser uma exposição, quase uma teofania, indecente das nossas miudezas inovações processuais? que só um espírito como o dele, sempre alerta, detecta. Temos agora de fazer da cada parágrafo uma espécie de reality show busca de novas soluções estilísticas onde exibimos os nossos deslizes, dotes para a mais fina prosa, as nossas debilidades sagezas gramaticais, os nossos tropeções amplos horizontes lexicais, a pobre amostra de vasta cultura que usa o blogue para inchar como o sapo da fábula? se dar a conhecer a um mundo faminto de saber.
Eu, por mim, quando ando com meias rotas trato de não me descalçar à frente de ninguém (ao contrário do senhor da foto ali em cima). Nas inúmeras ocasiões em que meto a pata na poça, emendo sorrateiramente o erro e faço votos de que ninguém tenha dado pelo triste episódio. espero vir um dia a dominar as subtilezas desta nova arte. Sou muito cioso da minha ignorância humilde vontade de aprender e prezo a privacidade das minhas calinadas. do meu convívio com o mestre.
Mais a mais, não me parece-me coisa máscula admitir um erro em público. Homem que é homem não se admite que se engana. E raramente tem dúvidas, aliás eu até sou muito homem. Mas estou um pouco perdido, ao chegar a este ponto do texto.


publicado por Luis Rainha às 00:04
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Sexta-feira, 16 de Março de 2007
Pela Comarca de Guantanamo
Khalid Sheik Mohammed, indiciado como o cérebro do 11 de Setembro, foi o sexto acusado a ser ouvido este mês, em tribunal militar, na base naval de guantanamo, ao abrigo do Military Commissions Act. A natureza deste procedimento judicial e a repugnância que deve causar à partida a qualquer jurista tem sido objecto de inúmeros comentários.  A ler, por exemplo, uma das análises feita pelo Prof. Marty Lederman, da Law School da Universidade de Yale, no imprescindível Balkinization.
O Pentágono divulgou entretanto a acta desta primeira audição. Ou melhor, não a acta integral, antes a parte desclassificada desta acta. Ao tribunal cabe determinar se Khalid reúne os critérios para ser designado como combatente inimigo contra os Estados Unidos ou seus parceiros de coligação ou, em alternativa, se reúne os critérios para ser designado combatente inimigo (sic).
O acusado não é assistido por um defensor, mas por um personal representative escolhido e nomeado pelo tribunal.
Pode apresentar testemunhas a serem ouvidas, desde que estas estejam razoavelmente disponíveis (pelas redondezas de guantanamo, presume-se), e desde que o seu depoimento seja considerado relevante. Caso contrário, nem sequer são admitidas a depor. No caso de Khalid, as duas testemunhas propostas pelo acusado foram liminarmente recusadas, com este mesmo fundamento.
Ao acusado é lido o libelo acusatório e respectivas provas, mas não todas as provas: apenas é informado daquelas que não hajam sido classificadas como secretas. As intervenções do acusado foram também elas parcialmente classificadas, isto é, foram ocultadas, na acta divulgada, as secções em que terá sido feita qualquer menção a tortura.
A declaração final de Khalid Sheik Mohammed corresponde a uma quase confissão integral, na qual uma das principais preocupações do acusado passa por ilibar alguns dos detidos em guantanamo. O rol exagerado de factos mencionados nesta confissão é aliás já objecto de fundadas dúvidas.
A acta da audiência pode ser lida aqui.


publicado por gibel às 14:07
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Escondam lá a roupa suja, por favor


No post anterior, o sapiente Gibel deu por fim provas de que é humano e não uma criatura de omnisciência semidivina. Levado ao engano pela legenda “Rep. John Murtha”, atribuiu ao tonitruante congressista filiação no partido Republicano. Pobre homem.
Mas a emenda foi bem mais gira que o soneto. Assisti por fim à estreia aqui na Zona Fantasma dessa curiosa moda que é a correcção de erros deixando a versão manhosa visível e decorada com um belo mas denunciador strikethrough.
Então agora isto de escrever em blogues, além de ser um vício, um motivo compreensível para divórcio, um hábito socialmente reprovável, uma perda de tempo cúmplice do défice, um supino desperdício de energia mental e uma mania que coloca algumas dúvidas sobre a saúde mental dos seus praticantes… então agora também tem de ser uma exposição quase indecente das nossas miudezas processuais? Temos agora de fazer da cada parágrafo uma espécie de reality show onde exibimos os nossos deslizes, as nossas debilidades gramaticais, os nossos tropeções lexicais, a pobre amostra de cultura que usa o blogue para inchar como o sapo da fábula?
Eu, por mim, quando ando com meias rotas trato de não me descalçar à frente de ninguém (ao contrário do senhor da foto ali em cima). Nas inúmeras ocasiões em que meto a pata na poça, emendo sorrateiramente o erro e faço votos de que ninguém tenha dado pelo triste episódio. Sou muito cioso da minha ignorância e prezo a privacidade das minhas calinadas.
Mais a mais, não me parece coisa máscula admitir um erro em público. Homem que é homem não se engana. E raramente tem dúvidas, aliás.



publicado por Luis Rainha às 12:53
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Quinta-feira, 15 de Março de 2007
Apesar das ameaças de veto da Casa Branca

Foi hoje aprovada em comissão do Congresso dos Estados Unidos, com 37 votos a favor e 27 contra, a primeira proposta de diploma apresentada pela maioria democrata, que condicionará o esforço financeiro envolvido na guerra no Iraque ao regresso das tropas até à data-limite de Setembro de 2008. A discussão ficou especialmente marcada pela intervenção forte do Republicano Democrata John Murtha, em resposta ao colega de partido ao Republicano Jerry Lewis, quando se abordou a imposição de limites à Administração no abusivo destacamento de soldados sem treino ou equipamentos adequados.


 

 

 



publicado por gibel às 19:49
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Publicidade dadá (3)
Contam-me que o Pedro Bidarra esteve algures no 2º Canal a perorar mais uma vez sobre a supostamente genial ideia de apresentar Portugal como sendo "Europe's West Coast". Não sei se lhe deram tempo para explicar a sua outra estratégia para acabar com a lusa tristeza: mudar a nossa bandeira.
Eis o pensamento publicitário em todo o seu duvidoso esplendor: para ter um grande produto, não é preciso mudá-lo, pois isso são coisas complicadas e fora do alcance de mentes deformadas por décadas de pensamento em forma de slogans. Basta fazer um novo logotipo, uma frasesita estilosa para o acompanhar e já está!
Que West Coast só seja sinónimo de progresso e avanço para os americanos é coisa de somenos. Que nada diga de bom a europeus, africanos, australianos, etc, é pormenor a ignorar. Que isto não seja a Califórnia, também o publicitário ainda não percebeu. Que um slogan  é absolutamente irrelevante para a identidade de um país ou para a ideia que dele os estrangeiros fazem... eis outro pormenor que por certo não fazia parte do briefing.


publicado por Luis Rainha às 13:10
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Publicidade dadá (2)


Mais um resultado da incursão das Produções Fictícias na publicidade. Julgo que tem o mérito inegável de ser bem pior que a da Super Bock. Dá mais a ideia de ser uma rábula contemporânea do período áureo do Raul Solnado, só que sem qualquer espécie de punch line. O Big devia ter-se mantido no mundo virtual. A gastar dinheiro desta forma ridícula, não convencerá ninguém das suas capacidades de gestão do dinheiro alheio...



publicado por Luis Rainha às 12:50
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Quarta-feira, 14 de Março de 2007
Literatura Socrática

(para súbditos ingratos e pessimistas)



publicado por gibel às 17:47
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Luis, pode falar-se de um asset em outsourcing destinado a preencher um gap?

520 milhões de dólares. É o preço que as autoridades de Abu Dahbi acordaram pagar ao governo Francês, pelo uso da marca Louvre, no futuro museu a inaugurar em 2012 naquela cidade dos Emirados. Mais outros tantos 747 milhões pelo empréstimo de obras para exposições temporárias e partilha de saber na gestão do novo equipamento. 



publicado por gibel às 17:15
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Publicidade Dadá


“- Pai: gosto muito de ti.
- Daqui até à Lua?
- Não. Daqui até à Bosch.
- Até à Bosch??
- Sim! Até dia 19 de Março vá a uma oficina... Blábláblá”
Isto é o começo do mais recente spot de rádio de uma rede de oficinas. A coisa passa na TSF mas não chega a lado nenhum: até à Lua porquê? Que faz ali uma criancinha? E porque quer ela ir com o pai à Bosch? Tremo só de pensar nas respostas.

Querem mais? Tomem lá este título de cartaz:
“70% dos médicos recomendariam Becel-nãoseiquê para reduzir o colesterol”.
“Recomendariam”? Se soubessem que aquilo existe? Se o produto não fosse tóxico? Se não tivessem já sido pagos pela concorrência? Esclareçam-me, caramba!

Mas o lugar de destaque nesta resumida galeria de horrores publicitários é por direito próprio e inalienável da nova campanha da Super Bock Sem Álcool. Antes uma semana entregue aos horrores do delirium tremens do que um dia na companhia destes spots execráveis com o comediante mais gasto e mais sem graça de Portugal. Isto só pode ter sido concebido por gente de ressaca e pago por autistas endinheirados.



publicado por Luis Rainha às 16:28
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Primeiro pensamento da bebé Andreia Elizabete ao conhecer a verdadeira mãe:


"Espero que isso da genética seja menos certo do que dizem".

Quantas mais personagens deste drama vão aparecendo na TV, mais toda a história me parece um filme do Ettore Scola, encenado algures num mundo subterrâneo povoado por gente amalucada a caminho de Fátima e trolls assustadores.

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publicado por Luis Rainha às 13:08
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Terça-feira, 13 de Março de 2007
Como vai mal o humor em Portugal
Dá ideia que os Gato Fedorento não querem dar o golpe de misericórdia no seu antigo patrono, Herman José. Vai daí, andam a deixar escorregar o seu programa pela ladeira da auto-complacência e da preguiça. A última prestação da coisa foi penosa: falta de ritmo, graças pífias, uma espécie de sketch longuíssimo a glosar um assassínio real, e, horror dos horrores, uma... tuna!
Mas o Herman trocou-lhes as voltas. Conseguiu fazer pior. Muito, muito pior. O seu "Hora H" tenta cruzar o registo revisteiro com o humor falsamente sorumbático e ataráxico de séries como "Little Britain" ou "League of Gentlemen". Mas Royston Vasey continua a ser uma miragem longínqua. O último programa de Herman José foi acabrunhante de ver: gags falhados em catadupas, uma galeria de "bonecos" já vistos 30 vezes, realização fastidiosa, uma música de fundo irritante e despropositada, o registo histérico-repetitivo da maioria dos actores. E, abaixo de tudo, os textos, completamente desprovidos de qualquer resquício de graça ou de inteligência.
Devemos continuar a ser um país de poetas; que de cómicos não temos grande coisa.

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publicado por Luis Rainha às 23:25
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