2 comentários:
De JMC a 24 de Fevereiro de 2007 às 16:52
Permita-me discordar da sua concepção de que o comunismo foi um “projecto que desaguou no totalitarismo”. O comunismo é um projecto que desagua no totalitarismo.
Detentores da verdade revelada, adeptos do Estado patrão único, o que impede os comunistas de reeditar gulags, deportações dos capitalistas, purgas quinzenais, o extermínio de inimigos, etc. ? O facto de não andarem por aí a proclamá-lo? No tempo de Estaline também não o proclamavam, mas faziam-no! E, no essencial, fizeram-no por todo o lado onde chegaram ao poder.
O que distingue o nazismo do comunismo é essencialmente o romantismo dos fins proclamados (nunca alcançados); em tudo o resto, distinguem-se apenas pelos alvos. Ódio racial/ódio de classe; messianismo ariano/messianismo proletário; expansionismo regional/expansionismo mundial; etc.
Ficando-se pela comparação de sujeitos, comparando uns imbecis de pequenas seitas com respeitáveis membros do PCP, esquece o essencial: a comparação das ideologias e das práticas de poder.
O totalitarismo é umas das formas de exercício do poder, a única possível para o exercício do poder absoluto. O comunismo só pode existir pelo recurso ao poder absoluto; é intrinsecamente uma ideologia inimiga da liberdade; a única liberdade que concebe é a da obediência.
O “bisonho” PCP luta pelo poder; não renega o passado (o seu e o do comunismo soviético) nem a ideologia messiânica classista nem a violência revolucionária; quotidianamente, dissimulado pela denúncia das injustiças e das desigualdades, prega o ódio de classe, a estimulação contínua do conflito.
Os grupúsculos de imbecis nazis não passam de pequenos bandos de arruaceiros (o que não impede de estarmos atentos); pretendendo ser nazis, são meros travestis.
Os comunistas são tão lunáticos quanto os nazistas; estão bem melhor organizados e desfrutam incomparavelmente de maior influência social e política.
O facto da maioria dos militantes comunistas serem analfabetos políticos não é factor desculpabilizante, antes pelo contrário. A ignorância é terreno fértil para a germinação da intolerância e da violência.
A displicência com que encaramos o comunismo deriva da progressiva perda de influência social e política do PCP; mas deveríamos repensar a influência que a constante prédica do ódio de classe tem no atraso do país. É o atraso e não o desenvolvimento que permite a existência de partidos comunistas…


De k a 25 de Fevereiro de 2007 às 08:41
A extrema-direita faz-se valer de uma dupla chantagem. Explora a potencial reserva de preconceitos residente em cada indivíduo.Depois, subverte a lógica do enquadramento democrático dos partidos comunistas.A igreja católica também tem hoje o seu lugar social apesar da nojice que é a sua história. A extrema-direita, lá está, tem o cuidado de não reclamar a ilegalização dos PCs e da extrema-esquerda porque tal significaria reconhecer legitimidade a sua própria marginalização. Ela não diz «ilegalizem-nos também a eles», ela diz «legalizem-nos também a nós». A nuance não é inocente. Pudera. Ela diz que se ensina o multiculturalismo e esquerdices nas escolas. Ela não diz que os jovens não aprendem puto sobre o 25 de Abril e sobre o Estado Novo nas escolas. Ela quer censurar os livros escolares e das bibliotecas municipais, nem que o faça á força de tacos de basebol. Ela diz que me quer defender de alienígenas, mas eu nada lhe pedi. Não pedi guarda-costas culturais, civilizacionais, e muito menos raciais. Ela quer matar. Matar. Matar. Quer matar negros, quer matar indianos, quer matar árabes, quer matar orientais, quer matar judeus, quer matar sul-americanos, quer matar ciganos, quer matar gays, quer matar lésbicas, quer matar diminuídos mentais, quer matar deficientes físicos, quer matar seropositivos, quer matar toxicodependentes, quer matar, quer matar. Quer eliminar tudo o que não cheire ao seu ideal idiota de salubridade. Não reconhece os seus crimes, orgulha-se deles diariamente, e promete reactivá-los a todo o instante. Não lhe reconheço lugar numa democracia. Ela traz sangue no focinho.


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