Terça-feira, 20 de Março de 2007
Inês Pedrosa perde o pé
No último “Expresso”, lá vem mais uma “Crónica Feminina”, da autoria de um dos grandes equívocos das letras lusas, Inês Pedrosa. Digo “equívocos” para não usar palavras mas indigestas, como “aldrabice”. Na realidade, pouco separa esta autora de luminárias como Margarida Rebelo Pinto, além da patine cultural cedida por amigos prestimosos e de uma suposta “seriedade” que ninguém sabe ao certo de onde virá. Inês Pedrosa foi jornalista, cabeça-de-cartaz do patusco movimento erigido em torno desse monumento ambulante que é o Manuel Alegre e autora de uns quantos romances pretensiosos e genericamente muito fracos.
Desta vez, vem a senhora falar-nos de Jean Baudrillard, a propósito, claro está, do seu falecimento. Lembra-se a putativa romancista de ter entrevistado o sociólogo francês. Não que ele tenha sido o seu interlocutor preferido: esse, ela nunca saberá quem foi. E não se trata de jactância ou de pose blasée; “não é diplomacia nem maldade, apenas negro olvido, olé, irreversível, trágico, como o dos folhetins espanhóis que eu escondia debaixo do colchão naquela idade incauta, pré-baudrillardiana”... blábláblá. Não sei o que deplorar mais: se o pavoroso e despropositado “olé”, se o facto de a senhora confessar depois que Barthes e Baudrillard a ensinaram a “voar”. Não culpem os instrutores pelo despenhamento da pupila, por favor.
Recorda-se a senhora de ter dado com o pensador agora falecido num Colóquio (com maiúscula, pois então) onde ele brilhava “desancando nesse ‘pensamento fraco’, então quase único a que se chamava pós-modernidade”.
Que Baudrillard tenha sido sim um dos arautos dessa mesma pós-modernidade pouco incomoda a brava Inês. A ela, interessa verberar o tal “pensamento fraco”, que, está-se mesmo a ver, só pode ser coisa má; mesmo que se tratasse de uma oposição aos “pensamentos fortes” das grandes certezas políticas que têm por hábito empurrar-nos para mais perto do abismo. Adiante.
A hagiografia de Baudrillard prossegue imperturbável: ele “disse coisas politicamente incorrectas – e de enorme justeza - sobre o ‘complot da arte’ contemporânea”, “sobre a guerra do Golfo”, etc, etc. Claro que ele fazia tudo isto desviando-se sempre do “estreitamento ideológico-burocráticos das sociologias”. E claro que nem adianta tentar entender o que quererá isto dizer: o vazio é a matéria-prima que Inês partilha com a colega Rebelo Pinto. Que as idiotices que o bom sociólogo verteu sobre a arte de hoje e sobre a primeira guerra do Golfo (para ele coisa redutível à sua representação mediática, ignorando o horror e o sangue de milhares) sejam corroboradas com esta leveza inconsciente é uma boa prova das teses do pensador francês: o que interessa hoje é a superfície das coisas, o brilho da sua reflexão no ecrã mais próximo, não a sua substância ou relevância.
Mas Inês Pedrosa, quiçá ainda presa aos tais “folhetins”, só quer saber das “coisas igualmente sísmicas” (sic) que S. Baudrillard lhe depositou na trompa de Eustáquio. A correria para parecer culta ao tratar com tal familiaridade um Grande Vulto obriga-a a ignorar a evidência maior: o sociólogo francês criou uma obra  de estilo fascinante mas de fundações inexistentes. Claro que o universo de hiper-realidade e de infinitas ordens de simulacros por ele anunciado é um intrigante pastiche de Philip Dick e pouco mais: claro que a guerra do Golfo existiu mesmo; claro que as trocas simbólicas não obnubilaram um mundo bem real; claro que só no mundo do “Matrix” é que aquilo faz mesmo sentido; claro que Sokal apanhou o homem em flagrante; claro que ele se deixou sugar pelo buraco negro do frenesi de comunicação que denunciava, como bem explica o espanhol José Antonio Marina. Claro que só uma esquerda faminta de profundidade e actualidade é que se lembraria de engolir aquele jogo brilhante mas solipsista como se se tratasse das novas Escrituras Divinas.
Acabando o tema Inês Pedrosa, tudo isto só vem provar que uma coisa é andar a correr atrás dos grandes deste mundo de microfone em riste, outra bem diferente é compreender o que eles nos dizem.
Como contraste depois de tanta vacuidade, recomendo o regresso a Gianni Vattimo, que nos deixa aqui um belo obituário. Ah, o filósofo italiano criou precisamente a tal expressão que Baudrillard teria “desancado” sem dó nem piedade: o "pensiero debole".



publicado por Luis Rainha às 17:41
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16 comentários:
De Mao a 21 de Março de 2007 às 15:50


A vida não tem dia
Se não este diria

O dia da minha vida




De HO a 27 de Março de 2007 às 02:16
Muito bom.


De AsasdeLetrasSoltas a 23 de Maio de 2008 às 20:42
"Acabando o tema Inês Pedrosa, tudo isto só vem provar que uma coisa é andar a correr atrás dos grandes deste mundo de microfone em riste, outra bem diferente é compreender o que eles nos dizem."
Pena que o amigo não perceba o que a Inês nos diz.


De cris a 15 de Agosto de 2010 às 19:17
mas a ines nao sabe mesmo o tem vindo a dizer(me desculpa)LI um seu artigo no expresso.Relacionado com uma situação deveras brutal e degradante: MAUS TRATOS FISIcos e psicologico.Destroem o mais forte do ser humano.Dou-lhe os parabens pela a coragem q manisfestou.So que por outro lado a seu conhecimento da hmaniadade é nullo. A Ines relacina-se em termos de amzade,com um verdadeiro chacal.Alguem muito terno, " sabedor" Alguem q se dá a conhecer como um verdadeiro martir só que a realidade é outra.. Destroi as pessoas que lhe deram carinho , amor , comprensão.Por pouco nao lhe davam a viida.Sabe o que lhe deram? A alma..É um ladraó de almas. esteja atenta , em silencio e olhe atentamente á sua volta.Claro, este tipo de pessoa é perigosa quando se lhes chama a atençao.Volta a vingar-se nos fracos, nos doentes chorando sempre lagrimas de crocodilo.Cuidado, não faça mal as fracos.GUARDE PARA SI ESTA INFORMAÇÃO
obrigada


De Inês a 12 de Julho de 2008 às 15:48
voçe é completamente anormal, para escrever coisas desse genero..
palpita-me que nunca leu nada da Inês Pedrosa para compara la com Margarida Rebelo Pinto, e relativamente a Manuel Alegre é valha-me deus, é mesmo infeliz
mentalidades bacocas e fraquinhas como a sua são uma pena, tenha piedade e não escreva
guarde para si, coma a opinião ao almoço, poupe-se ao disparate, que a estupidez é meia contagiosa, não vá algum fraco de espirito concordar consigo.
deve ser desempregado e depois da-lhe pa isto
faça trabalho comunitario e poupe se a infelicidade de criticar pessoas que, essas sim, farão coisas uteis


De Adriana a 25 de Abril de 2009 às 21:25
É bem triste que na primeira leitura que faço deste blog encontre tanta amargura. Terrível sua crítica por quê não condiz com a realidade.


De Leituras a 8 de Julho de 2009 às 00:46
Que nunca lhe doam as mãos! Ao menos uma voz que seja, para desmascarar as capelinhas que criam estas palermices pseudo-literárias. Agora lá está na Casa Fernando Pessoa, paga por nós.


De C a 8 de Julho de 2009 às 00:51
Eu, graças a Deus, nunca li nada da IP e continuo a preferir a Margarida RP - porque pelo menos essa não engana ninguém. A IP, pelos vistos, engana muita gente.

As crónicas do Expresso dariam para um blogue inteiro de posts como este. Mais, sim? Está óptimo e é preciso.


De S. Pinho a 19 de Agosto de 2009 às 19:47
Senhor Rainha: e você? De onde é que o conheço? Que obra o distingue? Estimo bem que, dois anos volvidos, tenha descoberto algum medicamento para essa azia com sintomas de inveja. Siga a minha sugestão: não diga mal dos outros. E sobretudo não tente julgá-los, porque não é capaz. E, já agora, sempre lhe digo que também ofendeu a Rebelo Pinto, pessoa que, se não faz melhor é porque não é capaz. Mas tenta. Trabalha. E quem dá o que tem.....


De Paulo Eannes a 21 de Setembro de 2009 às 17:48
Que magnífico texto! É realmente uma aventesma dos meios sociais, esta pseudo-escritora. Promovida por um dos poderosos «bosses» do meio pseudo-literário, o patrão de revista Ler. Obrigado pela coerência, amigo. Esta senhora vive agora à custa dos nossos impostos.


De Alexandre Couto a 3 de Dezembro de 2009 às 21:05
Opinião rídicula e mal fundamentada que não só enuncia falta de conhecimento na literatura como também na política


De maria a 15 de Agosto de 2010 às 19:45
MEUS SENHORES TENHAM DÓ.DEDIQUEM-SE A PROBLEMAS MAIS SERIOS..:))))


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