Quarta-feira, 31 de Janeiro de 2007
Intervalo para compromissos publicitários


Estou capaz de jurar que há pelo menos um decisor na campanha do PS que deseja ardentemente a vitória do “Não”. Não se lobriga outra explicação para os cartazes que o partido tem vindo a afixar, indo de mal a muito pior. “O aborto é uma vergonha nacional”, clama o último. E então? Se calhar, está todo o país de acordo; mesmo os senhores do “Não” têm vergonha do aborto (e prefeririam mantê-lo escondido, claro). Não seria melhor incitar os votantes a fazer alguma coisa, por exemplo votar “Sim”? Qual será a função de um cartaz que se limita a confirmar as ideias do receptor, sem qualquer desafio ou interpelação?
Os senhores do “Não” aprenderam a lição. Depois de vários cartazes tão fracos quanto demagógicos, lançaram agora esta dramática peça, igualmente demagógica mas muito boa em termos de comunicação. Aqui, há um apelo claro ao voto, com um argumento emocional fortíssimo. Não se vê em que é que a vitória do “Não” iria salvar os milhares de fetos que todos os anos são abortados com ou sem despenalização, mas isso já tem a ver com honestidade, não eficácia.



Por seu lado, o PCP continua a apostar numa “estética” ultrapassada e solipsista: o friso de mulheres de diversas idades, com um cravo por adereço, remete a questão para o movediço território das reivindicações feministas, do “no meu corpo mando eu”. Justamente a última coisa que devia ser lançada para a arena da campanha, quando o adversário anda a apelar aos votantes para salvarem vidas. E "agora sim", porquê? Antes não podia ter sido?



publicado por Luis Rainha às 17:43
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2 comentários:
De afixe a 2 de Fevereiro de 2007 às 10:34
Acho que o cartaz diz “O aborto clandestino é uma vergonha nacional”


De Luis Rainha a 2 de Fevereiro de 2007 às 18:00
Sim, é verdade. Citei de memória e à pressa.


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