Sábado, 13 de Janeiro de 2007
Flexiquê?
As sociedades pouco desenvolvidas adoram fórmulas mágicas. Aquele mantra especial  que, se repetido muitas vezes, por certo há-de proporcionar saúde e vida próspera a todos. Algumas tribos mais sistemáticas, como os gestores, arranjaram nome para estes vocábulos miraculosos: buzzwords. Num ano é a reengenharia, noutro é o benchmarking, o outsourcing, etc, etc.
Cavaco Silva, em viagem pela Índia, veio agora acrescentar ao seu rosário particular a “Flexissegurança” (continuo a preferir o mais patusco “flexigurança”). Coisa oriunda da Dinamarca e teoricamente infalível: para gerar emprego e felicidade entre as massas, basta facilitar os despedimentos e oferecer ao trabalhador uma rede de segurança capaz de lhe dar bons subsídios, formação e dignidade. Ora, em Portugal ainda se luta para garantir que vai haver Segurança Social daqui a dez anos. Contar com ela para atingir esse Nirvana nórdico é pura fantasia. Mas o nosso Presidente acabara de receber um doutoramento honorário em… Literatura. Talvez tenha sido por isso que lhe deu para esta simpática ficção.


publicado por Luis Rainha às 17:59
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Terça-feira, 2 de Janeiro de 2007
Os desejos de Ano Novo do Presidente
Fonte bem informada relatou-me este diálogo entre Cavaco Silva e um dos seus assessores. Ou talvez tenha sonhado. De qualquer forma, aqui fica a transcrição:

    - Vossa Excelência... é acerca da sua mensagem de Ano Novo. Estivemos a pensar e...
    - Mas não era para repetir aquilo do 25 de Abril?
    - Pois. Isso. Bem, se calhar já chega de exclusão e violência doméstica...
    - E?
    - O pessoal do PP e do PSD anda agitado. Dizem que a Presidência não faz a oposição devida, que falar de si e do governo na primeira pessoa do plural desanima os apoiantes e os patrocinadores...
    - Hmm. E essa gente vai dar jeito daqui a uns anos, não é?
    - Pois. Talvez seja hora de fazer exigências. De pedir qualquer coisa com peso mas não muito quantificável. Grandes causas assim como “desenvolvimento”, “justiça” e “educação”, por exemplo. Fica bem e não o compromete com nada.
    - Parece excelente. E que diz o professor Espada disso?
    - Sei lá. Está numa daquelas fases em que só fala de Oxford e do tal Sir Karl...


publicado por Luis Rainha às 17:54
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