Domingo, 7 de Janeiro de 2007
Aviões, visões e comissões
Desiludam-se os apreciadores de tragicomédias: não vai mesmo haver comissão parlamentar de inquérito aos voos com que a CIA andou a distribuir prisioneiros por offshores da tortura.
Os sátrapas socialistas declararam que nada há a investigar. Isto apesar da esforçada Ana Gomes, que garantiu ter falado com testemunhas de “coisas estranhas” na base das Lajes, como desfiles de “pessoas agrilhoadas”. Tais relatos bastaram para estimular a veia cómica de hordas de engraçadinhos, glosando as “alucinações” da eurodeputada, sugerindo visitas de ovnis, etc. Mesmo espíritos mais ponderados não se escusaram a delírios bizarros, como alvitrar que Ana Gomes, com o seu inconveniente estardalhaço, estaria a comprometer secretas mas audazes “manobras” do governo luso para esclarecer o caso.
Desconfio da verdadeira razão para recusar o inquérito: medo dos resultados. Ainda se chegava à conclusão de que ninguém sabe ao certo quem passa ou não por Portugal. E que até será bem possível que jactos da Air Jihad, com Bin Laden a bordo, tenham feito discretas escalas por cá.


publicado por Luis Rainha às 17:48
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Quarta-feira, 3 de Janeiro de 2007
O fantasma de Saddam
O ignóbil linchamento de Saddam veio demonstrar que é cada vez mais ténue o domínio que os conquistadores yankees exercem sobre o governo iraquiano. Uma execução supervisionada pelos marines nunca teria descambado nesta macabra sucessão de tiros no pé. Começando pela data escolhida — o Eid ul-Adha, a “festa do sacrifício” dos muçulmanos —, seguindo pela banda sonora do evento — insultos ao condenado, urros de apoio ao radical xiita Moqtada al-Sadr — e culminando na divulgação dos vídeos “piratas”. Tudo pareceu coreografado para acirrar mais ódios e violência num país à beira do cadafalso, afundando-se na guerra civil e agora assombrado pelo fantasma de mais um mártir.
Pouco depois, o novel secretário-geral das Nações Unidas resolveu inaugurar o seu pontificado com uma vistosa gaffe, esquecendo-se de que a ONU se opõe à pena de morte e descrevendo a sua prática como “um assunto interno dos Estados-membros”. Recorde-se que o coreano Ban Ki Moon fez carreira na equipa de um ex-condenado à morte, o Nobel da Paz Kim Dae-jung.  


publicado por Luis Rainha às 17:53
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