Segunda-feira, 19 de Março de 2007
Manicomics

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publicado por Luis Rainha às 13:44
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Segunda-feira, 12 de Março de 2007
Manicomics

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publicado por Luis Rainha às 00:04
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Segunda-feira, 26 de Fevereiro de 2007
Manicomics 1

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publicado por Luis Rainha às 11:23
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Dois anos de Sócrates

O infindo “estado de graça” de Sócrates deve muito à fasquia com que deparou: suceder ao governo mais caricato e incapaz que alguma vez afligiu Portugal. Bastava ao líder do executivo não se babar em público e aos ministros não serem apanhados em casos amorosos com ovinos para fazerem boa figura. Coisa que têm conseguido, até ver.

De resto, fica a ideia de que as reformas levadas a cabo têm tanto de cuidadosa gestão do calendário político e de relações públicas como de acção real. Enfim, talvez o melhor governo que podemos almejar seja mesmo assim: pouco faz mas consegue transmitir aos agentes económicos a ideia de que o país avança. O que está longe de ser mau de todo.



publicado por Luis Rainha às 11:03
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Mais um bailinho da Madeira
Por meios inconfessáveis, tive acesso a uma escuta de uma conversa telefónica entre o rotundo líder do PSD-Madeira e Marques Mendes. A bem da Nação, aqui fica:

—    Foi o referendo, a Câmara de Lisboa... para onde quer que me vire, é só desgraças.
—    Sim, sim...
—    E no partido, a cada dia, lá aparece mais um à gosma: o cromo de Gaia, os abutres do costume e agora até o gajo da Opus Dei. Acha que isto é vida?
—    Ó Dr. Mendes, mas que tenho eu a ver com as suas desgraças?
—    Caro Dr. Alberto João: eu, modéstia à parte, tenho a proposta que vai resolver todos os problemas do partido. É assim: você demite-se.
—    O quê??
—     Calma. Há eleições, você faz-se de vítima, acusa o governo e ganha como sempre. A imprensa daqui fica uns meses com assunto e deixa de me chatear. Fale em testículos, nos colonialistas, ameace com a independência, o costume. Entretenha-os. E dê-nos uma vitória, que bem precisamos.
—    Mas que ganho eu com isso?
—    Então... não gostava de ter um cargo mais calmo, com montes de prestígio?
—    Caro que sim! E que fazem ao sô Silva?
—    Deixe comigo. Quando chegar a altura da reeleição, convenço-o a voltar à vida académica ou coisa que o valha. Agora, demita-se e trate de dar a volta à  sua malta. Enquanto essa eleição vai e vem, sempre folgam as minhas costas.



publicado por Luis Rainha às 11:00
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Segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2007
Manicomics

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publicado por Luis Rainha às 11:13
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O Estado Nuclear
O PS talvez ande mesmo a congeminar a restrição das “funções nucleares” do Estado à defesa, segurança e diplomacia. Não sei se por deriva liberal ou se apenas para diminuir o número de vínculos à função pública. Sei é que a UNICEF acaba de publicar um relatório que analisa o bem-estar das crianças dos países da OCDE. E não são os mais ricos a cuidar melhor dos seus jovens. Este honroso destaque cabe sim a nações como a Holanda, a Suécia, a Dinamarca e a Finlândia. Gente que não se importa de ter estados com imensas “funções nucleares”. Mas que cuidam do que é mesmo importante.


publicado por Luis Rainha às 11:07
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Coreia do Norte: petróleo por sossego


A Coreia do Norte prometeu destruir as suas engenhocas atómicas em troca de combustível e electricidade. Fica assim demonstrado que a conjugação de sanções económicas com a negociação tenaz produz os seus resultados, mesmo face a tiranos imprevisíveis do calibre de Kim Jong-Il. Mais uma razão para lastimar a precipitada e mortífera invasão do Iraque.
Por cá, não duvido de que o PCP vai persistir na cantilena “povo coreano tem o direito soberano de decidir o seu futuro, sem ingerências externas”. De preferência com “a solidariedade do povo português”. São coisas destas que dão mau nome à esquerda: manter os olhos fechados ao pesadelo norte-coreano, teimando que se trata de coisa “socialista”. Isto quando, ainda por cima, já vários militantes do PCP visitaram aquele país, saindo de lá com inúmeras histórias trágico-cómicas, como a dos portugueses interpelados pela polícia política por terem ousado embrulhar um par de almôndegas num jornal com a fotografia do Grande Líder...


publicado por Luis Rainha às 11:01
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Aborto: o dia seguinte
Após o final da II Guerra Mundial, algumas ilhas no Pacífico viram-se de súbito privadas do afluxo de bens modernos que os aviões americanos representavam. Para remediar a carência, resolveram então os nativos fabricar os seus próprios aeródromos no meio da selva, decorados com torres de controlo em bambu, guarnecidos por “técnicos” com auscultadores em madeira; pistas falsas onde em breve os aviões voltariam a aterrar, restaurando a prosperidade e os stocks de chocolates Mars.
Esta mentalidade pré-lógica, com a sua tremenda fé em rituais e palavras poderosas, sempre foi muito popular em Portugal. Exemplo: em 1878, estreou-se a iluminação pública eléctrica no Chiado. Logo surgiram estes versos deliciosos e tão certeiros no DN: “Já tem luz o município. (...) / Vão rasgar-se os boulevards, / Abrir-se asylos, escolas,/ Passeios, largos, bazares;/ Vai haver docas no Tejo, / Museus de estudo e recreio, / De gosos vasto cortejo, / Praças com repuxo ao meio; / Vai começar nova era,/ Vai surgir um tempo novo”. Claro está que poucos meses depois a edilidade descobriu que não conseguia sustentar os candeeiros milagrosos e tratou de os desligar.
Na noite televisiva do referendo, pudemos vislumbrar um cartaz que rezava “Bem-vindos ao século XXI”. Eis o pensamento mágico em todo o seu esplendor: o aborto, mais do que uma causa, era um símbolo do Portugal de Abril. Da terra da igualdade, da camaradagem, das manifs felizes dia sim, dia não. Uma vez legalizado, por certo que traria o Futuro.
Agora, prevê-se um doloroso regresso à realidade. Quando acordarmos e virmos que quase tudo continua na mesma, que o desemprego não sumiu, que o Progresso não aterrou por cá nas asas do sonho. Pior: há menos uma Causa pela qual lutar.
Dos lados de Belém, chegou outra tocante manifestação de fé nas palavras. Cavaco Silva veio agitar as varinhas mágicas da moderação, do equilíbrio e, sobretudo, do “consenso”. Tudo para evitar as incómodas “clivagens”. Como se agora o PS, legitimado pela sua maioria e pelo referendo, tivesse de elaborar leis que não incomodem os sentimentos de quem lutou pelo “não”. Talvez se consiga, ao mesmo tempo, praticar e não praticar abortos legais.


publicado por Luis Rainha às 11:00
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Sexta-feira, 9 de Fevereiro de 2007
Tantas razões para votar “Sim”
As mulheres que já abortaram e foram denunciadas, investigadas, expostas, humilhadas e julgadas.

As mulheres que vão ainda abortar, com ou sem mudança na lei. Que ao seu sofrimento não venha o mundo acrescentar a culpa dos criminosos.

As mulheres que já abortaram e nunca se reconciliaram por inteiro com essa opção. A mudança da lei, ainda que tardia, vai acabar por reconhecer as suas razões e apaziguar alguma da sua dor.

As mulheres que vão decidir não abortar. Em breve já com plena liberdade para tomarem essa ou outra decisão.

As mulheres que abortam espontaneamente e se vêem maltratadas nos hospitais, insultadas e miradas do alto por médicos e enfermeiros tão pios e virtuosos.

Aqueles que agora descobriram uma inopinada vocação para defensores dos mais indefesos; que não lhes seque a veia humanista logo após dia 11.

Os que julgam dever impor a todos as suas certezas morais. Dia 12, vão acordar num mundo que, espantosamente, sobreviverá mesmo que desprovido da sua iluminada orientação. Talvez lhes faça bem descobrir a justa medida da liberdade dos outros.

Os médicos, enfermeiros, magistrados e polícias que já se gastaram a perseguir as mais débeis das presas. Agora, vão poder dedicar todo o seu tempo e energia às suas benditas vocações.

Os senhores da Igreja, que talvez depois de derrotados pelo voto do seu rebanho se habituem a discutir com serenidade; sem ameaças de excomunhão, sem folhetos obscenos, sem prédicas medievais.

As mulheres que defenderam o “Não”, mesmo não sabendo bem o que fariam se a desdita lhes batesse à porta. Esse dia, a chegar, já poderá ser um pouco menos negro.

Todos os que vão votar “Sim”, mesmo reconhecendo que nunca conseguiriam ter parte num aborto. Por defenderem o direito dos demais às suas próprias opções.

Os maridos, pais, irmãos, filhos, namorados de todas estas mulheres. Que as saibam um pouco menos sós nessa hora terrível.

Todos nós, prontos para viver num país um pouco mais justo, mais fraterno, mais tolerante para com as humanas fraquezas do próximo. Essa é a verdadeira barreira civilizacional que vamos franquear já depois de amanhã.


publicado por Luis Rainha às 23:00
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Domingo, 4 de Fevereiro de 2007
Os falsos argumentos do “Não”

Aprovamos a despenalização e entra “pela janela” a liberalização — na prática, o aborto está já liberalizado há décadas: quem é que não consegue fazer um aborto, ilegal e perigoso, mas “a pedido”, no Portugal de hoje? A despenalização sempre trará alguma ordem: por agora, o aborto é praticado por todo o lado e sem qualquer prazo limite.

Vai aumentar o aborto clandestino — ninguém pode afirmar tal coisa, uma vez que nem sabemos ao certo quantos abortos clandestinos se praticam hoje em dia. Mesmo nos hospitais, confundem-se abortos espontâneos com os provocados, as estatísticas aproximam-se da fantasia. E importar números estrangeiros faz tanto sentido como o argumento provinciano do “já todos aprovaram, só faltamos nós”.

Se o “Sim” ganhar, continuaremos a ver julgamentos: das mulheres que abortem depois das 10 semanas — claro: a partir do momento em que uma mulher tem 70 dias para abortar em segurança e legalidade, não há desculpa para o fazer apenas depois. Com a liberdade, tem de vir responsabilidade.

Nenhum cristão pode votar neste pecado — só em 1869 é que a Igreja deixou de tolerar oficialmente os abortos no primeiro trimestre de gravidez. A postura agora inflexível da Igreja Católica reflecte apenas e tão somente a vontade de alguns senhores de sotaina.

Abortar é liquidar uma vida humana — Um embrião tem vida, obviamente. Há décadas e décadas que ninguém o nega. Mas às 10 semanas não possui ainda a estrutura neurológica onde reside a nossa consciência. É um ser, mas ainda não humano. Niguém aponta um só argumento científico, para lá do “olha que impressionante, está ali o coração”, para contrariar isto.

Não queremos os nossos impostos aplicados na execução de abortos — pura e simplesmente, não é isso que se vai votar no dia 11.

Melhor seria alterar a lei de modo a não haver mais julgamentos e pronto — o cúmulo da hipocrisia. Perpetuar a clandestinidade, o perigo, as humilhações para as mulheres apanhadas. Mas sem escândalos: uma multa discreta e já está.

Já mulher alguma é presa por abortar — hoje. E se amanhã tivermos um talibã da Opus Dei como ministro da Justiça?

As mulheres vão abortar por capricho — o argumento misógino de quem vê no mulherio uma casta de devassas desmioladas, incapazes de sentimentos ou de angústia ante uma decisão deste calibre.

A nossa lei já é igual à espanhola; para quê mudar? — o nosso Código Penal exige ameaça de “grave e duradoura lesão para o corpo ou para a saúde física ou psíquica” da grávida; o artigo espanhol menciona apenas “grave peligro”. Por cá, cada caso é analisado por “comissões técnicas de certificação”, com “três ou cinco médicos como membros efectivos e dois suplentes”, enquanto que em Espanha basta um atestado de um clínico.

Devíamos antes apostar na educação sexual e reprodutiva depois dos lindos discursos na noite da vitória no último referendo, o melhor que os partidários do “Não” conseguiram produzir foi uma secretária de Estado da Educação que afirmou que, se dependesse dela, a educação sexual seria banida das escolas. Agora, temos D. José Policarpo afirmar que esta, para ser “verdadeira”, teria de ser ministrada na “perspectiva da castidade”. Estamos conversados quanto a tal paleio, portanto.



publicado por Luis Rainha às 19:40
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Segunda-feira, 29 de Janeiro de 2007
Justiça impopular


Sou, provavelmente, a única criatura deste país sem opinião formada sobre o “caso Esmeralda/Ana Filipa”. O pai biológico será o monstro sequioso de indemnizações que as turbas linchadoras imaginam ou anda há anos em busca da filha, sendo sempre impedido de a ver pelos candidatos a pais adoptivos? E terão eles passado esses anos fugindo a decisões judiciais ou são mesmo os santos descritos na hagiografia da imprensa lusa?
Só sei que se trata de matéria rija demais para o dente de amadores sabichões e de jornalistas apressados. E sei também que este imbróglio rebenta na cara da sempre volátil opinião pública logo nos dias em que dois ataques da Justiça aos “grandes” ameaçam derreter sem graça nem glória, por via de trapalhadas processuais em torno da validade de escutas e buscas várias: a Operação Furacão — investida contra uma rede de fuga aos impostos, com grandes bancos no centro da tormenta —  e o caso das vendas fraudulentas de bens de empresas falidas.
Depois, venham queixar-se de que as massas são injustas para com os nossos esforçados tribunais.


publicado por Luis Rainha às 16:12
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Câmara oculta
Lisboa anda fazer figura de vilarejo siciliano. O desfile de suspeitas e investigações policiais ao conúbio entre a CML e a Bragaparques já aflora o obsceno: avaliações fantasiosas, permutas desproporcionais, um vereador aliciado, uma sua colega arguida, reuniões bizarras do presidente com o principal suspeito e, agora, assaltos à casa e ao escritório de Ricardo Sá Fernandes. Mas o pior ainda deve estar para vir: se ofereceram ao edil do Bloco 200 mil euros só para não fazer ondas, quanto não terá rendido a venalidade a sério?


publicado por Luis Rainha às 16:08
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Uma união em mau estado


O Presidente americano mais impopular desde que Nixon se deixou apanhar com a boca na botija proferiu há dias  o seu penúltimo discurso do Estado da União. E aconteceu o esperado: depois do implacável Schwarzenegger, foi a vez de Bush se vergar aos ventos das inquietações das massas com o nosso Ambiente. Atrevendo-se até a propor uma redução do consumo americano de gasolina, ainda que pequena. “Confrontar o sério desafio da mudança de clima global” — há um ano, alguém o imaginaria a pronunciar semelhante frase? Preparemo-nos agora para admirar o espectáculo dos neo-conitos que enxameiam as nossas colunas de opinião a admitir que, afinal, isso do aquecimento global até é capaz de não ser apenas alarmismo…
No plano externo, prossegue a misturada entre a “guerra ao terror” e o fiasco do Iraque. Este deverá ser agora resolvido graças à “nova estratégia” — enviar para lá mais tropas e exigir ao governo iraquiano que pare de se comportar como aquilo que é: uma organização sectária. Mas, segundo a minha teoria, o verdadeiro objectivo americano já se cumpriu: iniciar no Iraque uma guerra entre sunitas e xiitas, que em breve contaminará todo o mundo árabe, enfraquecendo-o durante anos. Ou será isto maquiavélico demais para o bom Dubya?


publicado por Luis Rainha às 15:54
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Quinta-feira, 18 de Janeiro de 2007
Portugal na TV
Os “Grandes Portugueses” da RTP não são espelho de nada, a não ser, talvez, de quem gasta quilómetros de prosa a psicanalisar um passatempo televisivo. Mesmo assim, não resisto a deixar aqui o meu voto: que Aristides Sousa Mendes não fique atrás do tiranete provinciano mas letal a quem desobedeceu e que acabou por o esmagar.

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publicado por Luis Rainha às 17:58
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Sábado, 13 de Janeiro de 2007
Flexiquê?
As sociedades pouco desenvolvidas adoram fórmulas mágicas. Aquele mantra especial  que, se repetido muitas vezes, por certo há-de proporcionar saúde e vida próspera a todos. Algumas tribos mais sistemáticas, como os gestores, arranjaram nome para estes vocábulos miraculosos: buzzwords. Num ano é a reengenharia, noutro é o benchmarking, o outsourcing, etc, etc.
Cavaco Silva, em viagem pela Índia, veio agora acrescentar ao seu rosário particular a “Flexissegurança” (continuo a preferir o mais patusco “flexigurança”). Coisa oriunda da Dinamarca e teoricamente infalível: para gerar emprego e felicidade entre as massas, basta facilitar os despedimentos e oferecer ao trabalhador uma rede de segurança capaz de lhe dar bons subsídios, formação e dignidade. Ora, em Portugal ainda se luta para garantir que vai haver Segurança Social daqui a dez anos. Contar com ela para atingir esse Nirvana nórdico é pura fantasia. Mas o nosso Presidente acabara de receber um doutoramento honorário em… Literatura. Talvez tenha sido por isso que lhe deu para esta simpática ficção.


publicado por Luis Rainha às 17:59
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Quinta-feira, 11 de Janeiro de 2007
Rio e os "nãos" do "sim"
A quase-notícia da semana é o desatino do vereador portista Teixeira Lopes ao imaginar-se a partilhar o movimento “Voto Sim” com Rui Rio. O bloquista é pouco dado às subtilezas da diplomacia. E cedeu ao impulso de meter a proverbial pata na poça.
O uso despudorado de recursos camarários para se elogiar e fustigar adversários, aquela tirada sinistra do “sempre que ouço falar em cultura saco da calculadora” e outros tiques de tiranete sul-americano, tudo conspira para fazer de Rio uma personagem pouco recomendável. Mas não se deve fazer de homens assim vítimas: nada compõe melhor a imagem de um populista do que um cheirinho a perseguição injusta.


publicado por Luis Rainha às 17:55
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Quarta-feira, 10 de Janeiro de 2007
O arcebispo que não foi
Stanislaw Wielgus, nomeado Arcebispo de Varsóvia, viu revelada a sua colaboração com a polícia política comunista e desistiu da investidura, minutos antes desta acontecer. O seu vínculo laboral à Sluzba Bezpieczenstwa (só o nome já assusta) terá durado 20 anos. Nada de mais: cerca de 15% dos religiosos polacos complementaram os magros estipêndios com part-times similares.
Mas trata-se de desenlace injusto. Wielgus limitou-se a criar um tipo inovador de ecumenismo, fomentando laços entre o Catolicismo e essa outra religião de antanho, o Comunismo. Ao fim e ao cabo, muito une os dois credos: veneram escrituras vetustas, acreditam em coisas do outro mundo, têm um fraquinho por líderes infalíveis e revelam dificuldades em lidar com os dias de hoje. Porque não criar pontes entre adversários com tanto em comum, terá pensado o bravo monsenhor…
Depois deste episódio nada edificante, não se entende porque fugiu Bento XVI de uma visita a Fátima; bem precisado de milagres anda ele.


publicado por Luis Rainha às 17:46
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Domingo, 7 de Janeiro de 2007
Aviões, visões e comissões
Desiludam-se os apreciadores de tragicomédias: não vai mesmo haver comissão parlamentar de inquérito aos voos com que a CIA andou a distribuir prisioneiros por offshores da tortura.
Os sátrapas socialistas declararam que nada há a investigar. Isto apesar da esforçada Ana Gomes, que garantiu ter falado com testemunhas de “coisas estranhas” na base das Lajes, como desfiles de “pessoas agrilhoadas”. Tais relatos bastaram para estimular a veia cómica de hordas de engraçadinhos, glosando as “alucinações” da eurodeputada, sugerindo visitas de ovnis, etc. Mesmo espíritos mais ponderados não se escusaram a delírios bizarros, como alvitrar que Ana Gomes, com o seu inconveniente estardalhaço, estaria a comprometer secretas mas audazes “manobras” do governo luso para esclarecer o caso.
Desconfio da verdadeira razão para recusar o inquérito: medo dos resultados. Ainda se chegava à conclusão de que ninguém sabe ao certo quem passa ou não por Portugal. E que até será bem possível que jactos da Air Jihad, com Bin Laden a bordo, tenham feito discretas escalas por cá.


publicado por Luis Rainha às 17:48
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Quarta-feira, 3 de Janeiro de 2007
O fantasma de Saddam
O ignóbil linchamento de Saddam veio demonstrar que é cada vez mais ténue o domínio que os conquistadores yankees exercem sobre o governo iraquiano. Uma execução supervisionada pelos marines nunca teria descambado nesta macabra sucessão de tiros no pé. Começando pela data escolhida — o Eid ul-Adha, a “festa do sacrifício” dos muçulmanos —, seguindo pela banda sonora do evento — insultos ao condenado, urros de apoio ao radical xiita Moqtada al-Sadr — e culminando na divulgação dos vídeos “piratas”. Tudo pareceu coreografado para acirrar mais ódios e violência num país à beira do cadafalso, afundando-se na guerra civil e agora assombrado pelo fantasma de mais um mártir.
Pouco depois, o novel secretário-geral das Nações Unidas resolveu inaugurar o seu pontificado com uma vistosa gaffe, esquecendo-se de que a ONU se opõe à pena de morte e descrevendo a sua prática como “um assunto interno dos Estados-membros”. Recorde-se que o coreano Ban Ki Moon fez carreira na equipa de um ex-condenado à morte, o Nobel da Paz Kim Dae-jung.  


publicado por Luis Rainha às 17:53
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Terça-feira, 2 de Janeiro de 2007
Os desejos de Ano Novo do Presidente
Fonte bem informada relatou-me este diálogo entre Cavaco Silva e um dos seus assessores. Ou talvez tenha sonhado. De qualquer forma, aqui fica a transcrição:

    - Vossa Excelência... é acerca da sua mensagem de Ano Novo. Estivemos a pensar e...
    - Mas não era para repetir aquilo do 25 de Abril?
    - Pois. Isso. Bem, se calhar já chega de exclusão e violência doméstica...
    - E?
    - O pessoal do PP e do PSD anda agitado. Dizem que a Presidência não faz a oposição devida, que falar de si e do governo na primeira pessoa do plural desanima os apoiantes e os patrocinadores...
    - Hmm. E essa gente vai dar jeito daqui a uns anos, não é?
    - Pois. Talvez seja hora de fazer exigências. De pedir qualquer coisa com peso mas não muito quantificável. Grandes causas assim como “desenvolvimento”, “justiça” e “educação”, por exemplo. Fica bem e não o compromete com nada.
    - Parece excelente. E que diz o professor Espada disso?
    - Sei lá. Está numa daquelas fases em que só fala de Oxford e do tal Sir Karl...


publicado por Luis Rainha às 17:54
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